Revisitando a dor crônica

dor

Quem diria!

Visitamos o que desfrutamos. Não costumamos visitar a dor. Revisitar, muito menos.

Relembrando um velho jovem amigo que diz: “Todo sofrimento é passageiro. Se quiser pode embarcar primeiro”.

Só que meu amigo não lembrou que nesse campo não tem querer ou hora marcada. Tem só sofrimento em seus diferentes tons, matizes e intensidades.

Agora sim, velho jovem amigo. Para cada pessoa que sofre, vem consigo a capacidade, a plasticidade e as forças intelectual e espiritual para lutar contra as adversidades.

Acreditamos que estar apto para enfrentar a dor crônica é um preparo muito além das condutas do dia-a-dia. Dentre estas, uma delas é recorrer ao médico e à Medicina. Obter o diagnóstico correto, ainda que para isso nos submetamos a uma quantidade elevada de métodos e estudos complementares. Submetemo-nos a terapias convencionais, não convencionais, medicamentos alopáticos e tantos outros que prometem soluções convencionais ou até quase mágicas. Somos instruídos, orientados, auxiliados, preparados, manipulados e por fim aguardamos o resultado único: A CURA.

Primeiro minimizar, depois aliviar e então ceder por períodos mais prolongados, mas sempre na expectativa da cura definitiva, que logo chegará, após o doutor acertar ou a terapia ajudar.

Só que esquecemos de visitar.

Seria este o momento de visitar? Eu aqui, sofrendo eternamente. Eu quero é ser visitado, encontrar a palavra de auxílio e alívio. Eu quero é ser curado.

Só que esquecemos de re-visitar. É a revisita do eu-conhecido na busca profunda do eu-capacidade, do eu-força, eu-profundo, do eu-sereno, do eu-domínio. Ainda que para isso tenhamos que lançar amarras em portos desconhecidos para que o nosso barco não fique à deriva aguardando que outros venham nos socorrer.

Esta é a revisita do eu-corpo, mente e espírito para lançar mão de recursos próprios no auxílio definitivo à Medicina, aos médicos e outros tantos que vêm em auxílio para somar.

Revisite-se.

Redescubra-se.

Porque a dor crônica não é amigável.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *